É realmente muito curiosa a forma como o saxofonista Marco Abreu se interessou por música: assistindo ao Muppet Show. Ele ouviu o som do saxofone, não sabia o que era, mas queria aquilo. A iniciação foi na Guarda Mirim de Piracicaba, tocando clarinete. Depois, ingressou no conceituado Conservatório de Tatuí, interior de São Paulo, e somente sete anos depois come- çou a estudar saxofone. Hoje tem experiência de ter tocado na Orquestra do Maestro Osmar Milani por oito anos e toca esporadicamente na Orquestra do Maestro Ed Costa. Além disso, atua na Big Band Pirajazz e no quinteto Saxomaníaco. Dedica-se também ao trabalho de professor, tendo dois métodos lançados, e divulga seu CD Eu Vou Bem, Obrigado

Os professores “A minha carreira se divide em duas fases: antes e depois de ter estudado com Eduardo Pecci (Lambari). Ele trabalhou muito minha disciplina, articulação e sonoridade. É muito detalhista, não deixava passar nada. Com isso, acabei me tornando um perfeccionista”.

A Orquestra de Osmar Milani “Grande arranjador, dava oportunidades para os músicos do interior e tive o privilégio de ser acolhido por ele. Às vezes, vinham grandes músicos da capital, como Jericó, David Richards e Toniquinho. Trabalhávamos muito. Este trabalho foi o complemento de tudo o que eu havia feito em sala de aula com os meus vários professores”.

Erudito X Popular “A questão disciplinar do erutido é muito válida. Na época, a música popular ainda engatinhava. Não acredito que uma coisa caminhe sem a outra. A diferença está na sonoridade, na forma de pensar os valores das notas. A rigidez das peças eruditas não se traduz nas músicas populares. Nos arranjos de big bands, a forma como se escreve muitas vezes é mudada de acordo com o suingue do 1º alto, convencionadas pelos demais, até nas questões de articulação. Muitas vezes o arranjador escreve e deixa o músico à vontade para obter o melhor resultado”.

Solista X Naipe “Desde os tempos de conservatório passei por grupos de metais, conbos e orquestras. A diferença de ser solista ou integrante de um naipe de orquestra é a disciplina. Como solista, é possível explorar timbre, intensidade e extensão dos solos. Em um naipe, o músico é obrigado a ficar dentro da ótica do compositor ou do arranjador. É preciso ser mais fiel à partitura”.

Autor de métodos de saxofone “Os métodos foram baseados em minha experi- ência didática. Escrevia para cada aluno as lições no caderno. O método avançado é resultado de 11 anos de anotações de minhas dificuldades. Escrevi os exercícios e passei para vários tons e andamentos, variando as articulações. Ali também fiz um apanhado de ‘choros de cabeceira’, que considero úteis para qualquer saxofonista popular tocar”.

Quinteto Saxomaníaco “O nome é uma homenagem a uma composição de Severino Araújo. O quinteto é o naipe de sax da Big Band Pirajazz, da qual sou fundador. Foi a forma que encontramos de deixar o naipe bem afinado, influência das big bands americanas de que sempre gostei”.

Big Band Pirajazz “Em 2009 a banda comemora 12 anos. É um grupo estável de repertório de jazz e suas variantes. Na época de sua criação, havia muitos bares, músicos em profusão e jam sessions que serviram de inspiração. Atualmente, nosso único parceiro é a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). Já passaram por ela diversos músicos, principalmente pela dificuldade de manter o mesmo elenco devido à falta de apoio. Mesmo assim, conseguimos ficar em atividade”.

O CD Eu Vou Bem, Obrigado “Gravei choros que ouvi muito no passado. Porém, com uma roupagem mais moderna, utilizando cordas, entre outros. Sempre tive vontade de fazer um trabalho com cordas que caminhasse entre o jazz e o choro, mas queria tocar choro. Os músicos que gravaram são amigos de longa data. É o CD em que pude gravar composições minhas, como é o caso da música que dá nome ao disco, em homenagem ao meu avô”.